A Polícia Civil da Bahia opera com um déficit de cerca de 35% em seu efetivo, de acordo com parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Atualmente, o estado conta com 5.831 policiais civis para lidar com um cenário de violência que registra, em média, 6 mil homicídios por ano, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Esse quadro reflete na baixa taxa de elucidação de crimes. Em 2022, apenas 15% dos 5.044 homicídios registrados no estado foram solucionados — a menor proporção entre todas as unidades da federação, de acordo com levantamento do Instituto Sou da Paz.
Para Fabrício Rebelo, especialista em segurança pública e fundador do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (Cepedes), é necessário investir tanto no policiamento ostensivo quanto na qualificação da investigação. “Além da preocupação quantitativa, é fundamental capacitar melhor os policiais, para que as prisões realizadas não apresentem irregularidades que resultem na soltura de criminosos. Caso contrário, a sensação será de enxugar gelo”, afirma.
O pesquisador também alerta para a vulnerabilidade das forças de segurança no interior, onde facções criminosas estariam ampliando território. “As cidades interioranas viram bases para armazenamento de armas e drogas, o que pode representar uma ameaça ainda maior do que a observada na capital”, completa.