O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela terceira reunião seguida, mesmo diante das pressões do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por um corte.
A decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro, confirma a estratégia de estabilidade no atual ciclo de política monetária. Segundo levantamento da Bloomberg, todas as 31 instituições consultadas previam a manutenção da taxa.
Na véspera do anúncio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, se integrasse o Copom, votaria pela redução da Selic, classificando o patamar atual como “insustentável”. O posicionamento segue a linha de críticas do presidente Lula à condução da política monetária.
O Banco Central, no entanto, manteve o discurso de prudência. A Selic permanece no maior nível em quase duas décadas, após sete altas consecutivas entre setembro de 2024 e julho de 2025, quando passou de 10,5% para 15% ao ano.
De acordo com o Copom, a manutenção da taxa tem contribuído para conter as expectativas de inflação, ainda acima da meta de 3% estabelecida pela instituição. O Boletim Focus projeta um IPCA de 4,2% em 2026 e 3,8% em 2027.
Pelo modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses fora da faixa de tolerância, entre 1,5% e 4,5%. O primeiro estouro do IPCA sob o novo regime ocorreu em junho deste ano.