Uma brasileira foi deportada de Portugal após ser detida no aeroporto de Lisboa na última terça-feira (19), quando retornava de férias com o marido e os filhos, de 8 e 6 anos. A mulher foi separada das crianças, que permanecem no país com o pai, o advogado Hugo Silvestre, residente legal em Cascais, região metropolitana da capital.
Segundo Silvestre, a família vive há mais de dois anos em Portugal, onde as crianças estudam. Ele afirma que já viajou diversas vezes ao Brasil e a outros destinos sem problemas. Desta vez, porém, sua esposa foi barrada no aeroporto sob o argumento de não possuir autorização de residência. Detida às 11h30, ela só teve acesso a defesa horas depois e, no dia seguinte, foi embarcada para Recife sem o passaporte.
O marido já havia solicitado o reagrupamento familiar, que estende a autorização de residência ao cônjuge e filhos, mas o processo segue em análise. As advogadas Tatiana Kazan e Rafaela Lobo, que defendem a família, afirmam que entrevistas previamente agendadas pela Agência para Integração, Migrações e Asilo (Aima) não foram realizadas. “Ela entrou no país de forma regular e só não conseguiu o reagrupamento por falhas do governo”, disse Kazan.
A deportação ocorre em meio a mudanças recentes na política migratória portuguesa. Em julho, o parlamento aprovou medidas que restringiam o reagrupamento, mas o Tribunal Constitucional vetou o pacote em agosto. Nesse período, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foi extinto e substituído por nova estrutura policial, criticada por falta de preparo para análise documental.
O Itamaraty informou que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral em Lisboa e que presta assistência à família. Enquanto isso, Silvestre tenta garantir o retorno da esposa ao país. “Minha esposa está extremamente abalada, meus filhos também. Eles perguntam: ‘mamãe vai vir amanhã?’”, relatou.