O Brasil pode enfrentar um colapso fiscal em 2027, segundo projeções de economistas ouvidos pela revista Veja. O avanço contínuo das despesas obrigatórias — como saúde, educação e previdência — deve consumir praticamente todo o Orçamento da União, inviabilizando o funcionamento regular de diversos serviços públicos.
O cenário não deve ocorrer de forma abrupta, mas por meio de uma paralisação gradual, que já começou a ser percebida em alguns órgãos federais com redução de expediente, cortes de pessoal, suspensão de programas e adiamento de investimentos.
A situação foi agravada pelo congelamento de R$ 31 bilhões em despesas neste ano, medida adotada pelo governo para cumprir a meta fiscal. Em julho, o Ministério da Fazenda liberou R$ 21 bilhões, com apoio do Planejamento, mas o alívio foi considerado insuficiente.
“Seguimos com a água batendo no nariz. Respiramos com dificuldade”, disse à Veja Vinicius Benevides, presidente da Associação Brasileira de Agências de Regulação (Abar), que reúne mais de 70 entidades, incluindo as 11 agências reguladoras federais.
Especialistas alertam que, sem reformas estruturais, o país pode enfrentar em menos de dois anos um apagão de serviços básicos, comprometendo a capacidade do Estado de atender à população.