Um grupo de brasileiros deportados dos Estados Unidos relatou ter sofrido coerção e maus-tratos durante o voo fretado que os trouxe de volta ao país, desembarcando no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), na última quarta-feira (27). Segundo eles, o governo americano os obrigou a aderir ao programa de deportação voluntária, lançado neste ano pela gestão Donald Trump, como forma de acelerar o processo de expulsão. As informações são da Folha de S.Paulo.
A aeronave, um Boeing 737 MAX-8 fretado pela Gol, partiu da Louisiana, fez escala na República Dominicana e chegou ao Brasil às 18h13. Os passageiros vestiam uniformes de centros de detenção e carregavam apenas sacolas com pertences básicos, muitos sem documentos. Na chegada, foram recebidos por representantes da ONU e do Ministério dos Direitos Humanos, que se surpreenderam com a situação relatada.
Apesar da Gol afirmar que transportava apenas deportados voluntários, os brasileiros disseram ter sido mantidos meses em prisões e obrigados a assinar termos de autodeportação já dentro do avião, logo após terem as algemas retiradas por agentes do ICE (Agência de Imigração e Alfândega dos EUA).
Entre os deportados estava Erivelton Natalino da Silva, que vivia nos EUA há mais de 20 anos, com autorização de residência renovada e aguardava cidadania americana. Mesmo com recurso judicial, ele foi preso em junho e deportado sem que sua família soubesse seu paradeiro. Outro passageiro, Carlos Fagundes, contou ter passado por oito prisões em três meses, enfrentando superlotação, insalubridade, longos períodos sem comida ou água e até 20 horas sem alimentação.
Os relatos incluem ainda dias sem banho, ausência de higiene básica e documentos assinados sob pressão. Muitos disseram não ter mais passaporte, o que inviabiliza até mesmo o acesso ao auxílio de US$ 1.000 prometido pelo programa “Project Homecoming”.
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil declarou que as deportações ocorrem “de forma segura, respeitosa e frequente” e que os inscritos no programa poderiam receber benefícios como passagem gratuita, bônus financeiro e possibilidade de retorno legal ao país. Contudo, não respondeu às denúncias de maus-tratos.