O dólar comercial registrou forte alta nesta terça-feira (3), encerrando o dia cotado a R$ 5,261, um aumento de cerca de 1,9% em relação ao fechamento anterior, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela busca dos investidores por ativos considerados mais seguros. A moeda chegou a atingir R$ 5,34 no início do pregão, o maior patamar desde o fim de janeiro.
No mercado de ações brasileiro, o principal índice, o Ibovespa da B3, registrou queda de mais de 3%, o maior recuo do ano, encerrando a sessão em torno de 183 mil pontos. Quase todas as ações que compõem o índice fecharam em baixa, refletindo o pessimismo dos investidores diante da incerteza geopolítica.
Analistas atribuem os movimentos às notícias sobre o agravamento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, com reflexos em outros países da região, como Líbano, Arábia Saudita e Catar. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, e produtores de gás natural suspenderam operações, elevando temores de interrupção no fornecimento global de energia. Isso impulsionou também o preço do barril de petróleo, acima de US$ 80.
No cenário interno, a volatilidade no câmbio ocorre em meio a expectativas sobre a política monetária, com decisões sobre a taxa de juros (Selic) influenciadas pelas pressões externas e pela evolução da inflação. Autoridades econômicas observam os impactos das tensões internacionais sobre os mercados domésticos.
Os efeitos da escalada geopolítica também foram observados em bolsas internacionais e outros mercados, refletindo um movimento global de aversão ao risco e preferência por ativos considerados refúgio, como a moeda norte-americana.