O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2 de março) uma mudança significativa na doutrina nuclear francesa, com a intenção de ampliar o arsenal nuclear do país e de criar um novo modelo de dissuasão que envolva parceiros europeus como parte de um eventual “escudo europeu” de segurança. A declaração foi feita em um discurso realizado na base naval de Île Longue, no noroeste da França, onde estão os submarinos nucleares do país.
Segundo Macron, a França vai aumentar o número de ogivas nucleares, revogando a divulgação pública do total de armas, em resposta ao que classificou como um ambiente geopolítico cada vez mais instável, com guerras em diferentes regiões e preocupações sobre o compromisso de países aliados com a segurança europeia. Ele afirmou que a decisão faz parte de uma nova estratégia de “dissuasão avançada”, que permitiria envolver aliados europeus em cooperação mais estreita, incluindo a possibilidade de desdobrar temporariamente forças nucleares francesas em território de países parceiros.
A proposta de Macron inclui negociações com oito países europeus — entre eles Reino Unido, Alemanha, Polônia, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca — para que participem, em diferentes graus, da nova estratégia de dissuasão. Ele ressaltou, no entanto, que a decisão final sobre o uso de armas nucleares continuará sendo soberana da França, sem transferência de autoridade a outras nações.
A iniciativa foi justificada pelo presidente francês como uma forma de fortalecer a autonomia estratégica da Europa, diante de desafios como a guerra na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e a evolução das capacidades militares de outras potências. A proposta também é apresentada como um complemento às garantias de segurança já existentes no âmbito da OTAN e da cooperação transatlântica.
A reação internacional foi mista: enquanto alguns aliados europeus veem com interesse a ideia de reforçar a defesa continental, outros, como o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, descartaramm a proposta de um “escudo nuclear” francês como relevante para seu país.