As contas do Governo Central fecharam o mês de novembro de 2025 com déficit primário de R$ 20,2 bilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado foi significativamente pior do que o observado no mesmo período de 2024, quando o déficit foi de R$ 4,5 bilhões, e também ficou acima das projeções do mercado financeiro, que estimavam um rombo em torno de R$ 12,7 bilhões.
Segundo o Tesouro, o principal fator para o desempenho negativo foi o resultado da Previdência Social, que sozinha apresentou déficit de R$ 21,3 bilhões no mês. Em contrapartida, o resultado combinado do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 1,1 bilhão, o que ajudou a reduzir parcialmente o impacto do rombo previdenciário.
A piora em relação a novembro do ano passado foi explicada, sobretudo, por dois movimentos: a queda real de 4,8% na receita líquida e o aumento de 4% nas despesas totais. A retração da arrecadação foi influenciada principalmente pela forte redução das chamadas receitas não administradas, como dividendos de estatais, concessões e outras receitas extraordinárias, que recuaram mais de 50% em termos reais.
Pelo lado dos gastos, os maiores avanços ocorreram nas despesas discricionárias do Poder Executivo, com destaque para a área da saúde, além do crescimento dos benefícios previdenciários. De acordo com o Tesouro, esse aumento está relacionado tanto à ampliação do número de beneficiários quanto aos reajustes reais do salário mínimo. Em sentido oposto, alguns fatores contribuíram para conter a alta das despesas, como a redução de determinados pagamentos do Bolsa Família e a ausência, em 2025, de gastos extraordinários ligados às enchentes no Rio Grande do Sul, que haviam impactado o resultado no ano anterior.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o déficit primário do Governo Central alcançou R$ 83,8 bilhões, acima dos R$ 67 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2024. Nesse período, Tesouro Nacional e Banco Central apresentaram resultado positivo em conjunto, enquanto a Previdência Social manteve um déficit elevado, superior a R$ 328 bilhões.
Apesar do cenário negativo, o Tesouro destacou que a arrecadação administrada pela Receita Federal apresentou crescimento real ao longo do ano, impulsionada principalmente pelo Imposto de Renda, pelos tributos sobre operações financeiras e pelos impostos de importação.