Ao anunciar novos investimentos na área de segurança pública nesta terça-feira (4), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou que o Estado deve combater o crime sem recorrer à violência excessiva nem violar direitos.
“O Estado não pode ser um Estado matador. Não pode. Não é o Estado que tem que fazer isto. O Estado tem que mediar”, declarou o governador, ao comentar a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro no dia 28 de outubro, nas comunidades do Alemão e da Penha.
A operação fluminense, considerada a mais letal da história do país, deixou 121 mortos — incluindo quatro policiais — e não conseguiu capturar o principal alvo, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho.
Na Bahia, Jerônimo destacou os resultados da Operação Freedom, deflagrada nesta terça-feira (4), que prendeu 35 suspeitos de envolvimento com o Comando Vermelho. A ação, conduzida pela Polícia Civil baiana com apoio das polícias Militar, Civil do Ceará e Federal, resultou na morte de um homem que, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), reagiu à prisão no bairro Uruguai, em Salvador.
A morte gerou protestos na região, com barricadas montadas por manifestantes e bloqueio de vias. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e conseguiram liberar o tráfego, reforçando o patrulhamento na área.
Jerônimo afirmou que o governo seguirá atuando com firmeza contra o crime, mas dentro dos limites da lei. “A mão forte do Estado precisa acontecer. Não vamos dar trégua ao crime organizado na Bahia. Mas minha ordem é cercar, prender e entregar os investigados à Justiça”, disse.
Entre os presos estão um casal apontado como líder do Comando Vermelho na Bahia. O homem seria responsável por comandar o tráfico em Salvador e região metropolitana, enquanto sua companheira gerenciava as finanças do grupo. Ambos foram capturados em Eusébio (CE).
Segundo a SSP-BA, a Operação Freedom é fruto de uma investigação iniciada em 2022 e revelou que os principais suspeitos estão ligados a pelo menos 30 homicídios e à expansão da facção no estado. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 milhão em 51 contas bancárias associadas aos investigados.
O delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, afirmou que a operação atingiu seu objetivo de enfraquecer o núcleo armado e financeiro da facção sem ferir inocentes. Já o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, destacou que a ação é exemplo de uma política de segurança voltada à preservação da vida.
“Os resultados reforçam que é possível enfrentar o crime com inteligência, sem fazer do confronto a primeira opção”, afirmou Freitas.