Morte de Juliana Marins no Monte Rinjani expõe falhas em segurança de trilhas na Indonésia

A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (24) após cair de um penhasco no Monte Rinjani, na Indonésia. Ela é a décima vítima fatal registrada no local desde 2020, segundo autoridades indonésias. O caso reacende o alerta sobre os riscos associados ao trekking no parque nacional, um dos mais procurados por turistas no país.

Entre 2020 e 2024, o governo indonésio contabilizou 180 acidentes e oito mortes na região. As ocorrências envolvendo Juliana e o montanhista malaio Rennie Bin Abdul Ghani, que caiu em maio deste ano, ainda não foram inseridas no sistema oficial.

Localizado na ilha de Lombok, o Monte Rinjani possui 3.726 metros de altitude e é o segundo ponto mais alto da Indonésia. O terreno acidentado, a instabilidade do clima e a imprudência de alguns visitantes contribuem para o número elevado de incidentes. Segundo um relatório divulgado em março, 134 dos acidentes registrados envolveram quedas ou torções, muitas vezes em trilhas não oficiais ou sem o uso de equipamentos apropriados.

Juliana, natural de Niterói (RJ), estava em uma viagem solo pela Ásia desde fevereiro, com passagens por Filipinas, Tailândia e Vietnã. Ela caiu de um paredão de cerca de 500 metros durante a subida ao cume do Rinjani, na última sexta-feira (20).

Segundo familiares, a jovem foi deixada para trás pelo guia do grupo após relatar cansaço. Equipes de resgate chegaram a encontrá-la com vida no sábado (21), mas o mau tempo — com ventos fortes e baixa visibilidade — dificultou os esforços de salvamento.

A última imagem registrada por Juliana mostra o cume do vulcão encoberto pela neblina, indicando as condições adversas do trajeto, que pode durar até quatro dias e é considerado de alta exigência física.

A morte da brasileira gerou críticas à falta de protocolos de segurança mais rígidos no parque e aumentou a pressão por um Procedimento Operacional Padrão (POP) eficaz para emergências na região.

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