Os eleitores conhecidos como “nem-nem” — que não se identificam com Lula nem com Bolsonaro e tampouco com posições fixas de esquerda ou direita — ganharam destaque na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (26). O levantamento aponta que esse grupo tem ampliado a rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e melhorado a avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os fatores que influenciaram esse movimento estão a prisão domiciliar de Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, e as repercussões da articulação pelo tarifaço nos Estados Unidos, que reforçaram sua imagem negativa. Ainda assim, a maioria dos nem-nem segue desaprovando a atual gestão petista.
Mais temor em relação a Bolsonaro
Quando questionados sobre quem representa maior risco, 47% dos brasileiros disseram temer mais a volta de Bolsonaro, contra 39% que rejeitam a continuidade de Lula. Entre os nem-nem, a diferença é mais acentuada: 46% afirmaram preferir evitar Bolsonaro, contra 25% que se opõem a Lula. A distância de 21 pontos é três vezes maior do que a registrada no mês anterior.
Comparação entre governos
Na análise comparativa, Lula conseguiu reduzir a rejeição nesse grupo: de 37% para 27% caiu a parcela que considera sua gestão pior que anterior. Já os que veem o atual governo como melhor subiram de 33% para 37%. Para 32%, ambos são iguais.
Visão sobre investigações
A prisão domiciliar de Bolsonaro é vista como justa por 60% dos nem-nem, enquanto 29% a consideram indevida. No total da amostra, a proporção é de 55% a 39%. A percepção de envolvimento de Bolsonaro na tentativa de golpe após as eleições de 2022 também cresceu: de 45% em dezembro, para 52% em março e 58% em agosto.
Aprovação de Lula
Lula registrou melhora na avaliação entre os nem-nem, impulsionado pela percepção de avanço na economia e pela postura diante do tarifaço norte-americano. Sua aprovação nesse grupo subiu para 42%, enquanto a desaprovação recuou para 53%, a menor diferença do ano.
No geral, o governo alcançou 46% de aprovação e 51% de desaprovação, o melhor desempenho desde janeiro, de acordo com a Quaest.