A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova etapa da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo a PF, estão sendo cumpridos 66 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, foi determinado o bloqueio de cerca de R$ 400 milhões em bens de dezenas de investigados.
As diligências acontecem em São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, além do Distrito Federal. O objetivo é aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e ocultação de patrimônio.
Um dos alvos das buscas é o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), cujo vice-presidente é Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, no entanto, não é investigado nem alvo de mandado. Endereços de outros dirigentes do sindicato foram alvo das ações, incluindo a casa do presidente Milton Baptista de Souza Filho, que deporia nesta quinta-feira (9) na CPMI das fraudes no INSS.
Em nota, o Sindnapi afirmou ter recebido com “surpresa” as buscas realizadas em sua sede e na residência de dirigentes. A entidade declarou não ter tido acesso aos fundamentos da decisão judicial, mas repudiou qualquer acusação de irregularidade, assegurando a “lisura e legalidade” de sua atuação em defesa dos aposentados.
A Operação Sem Desconto teve início em abril deste ano, quando PF e CGU identificaram um esquema de descontos indevidos que pode ter desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O caso também motivou a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes.