Rapidinhas: pressão sobre Jerônimo, desgaste de Loyola, partido de Cafu e prefeito sincerão

Pressão crescente
Aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT) têm cobrado mais agilidade nas entregas pelo interior para evitar prejuízos nas eleições de 2026. Parlamentares afirmam que não adianta firmar convênios e anunciar investimentos sem tirar obras do papel. A avaliação é de que prefeitos e deputados estão cada vez mais frustrados, enquanto ACM Neto (União) avança eleitoralmente. “Nem parece que o governo contratou tantos empréstimos. Parece que está sem recursos”, resumiu um aliado.

Para-raios de Ondina
As críticas ao governo também recaem sobre o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT), antes visto como articulador central. Agora, dizem que a atuação perdeu eficiência. Ele tem sido o responsável por negociar com prefeitos insatisfeitos e deputados irritados com a lentidão das ações. Nos bastidores, parlamentares já o apelidaram de “para-raios” do Palácio de Ondina. De figura respeitada, virou alvo de murmúrios crescentes.

Roupa apertada
Um dirigente partidário aliado afirmou que, no ritmo atual, Loyola terá dificuldade em manter seu projeto de disputar o governo em 2030. Para ele, o secretário perde força por causa dos atrasos do governo em cumprir acordos. A criação da “Serin Itinerante”, uma espécie de agenda política no interior apresentada como ação institucional, também tem provocado desconforto e piadas entre aliados.

Alerta externo
Até mesmo figuras da oposição têm dado recados públicos. O presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), declarou que o descumprimento de promessas pode provocar uma debandada da base. “Se o governador não cumprir o que acordou, pode sim haver migração em massa para ACM Neto”, disse. Para ele, a permanência dos aliados depende exclusivamente da capacidade de Jerônimo em manter os compromissos. “Se ele cumprir, ninguém sai.”

Saída definitiva
O deputado federal Sérgio Brito (PSD) não pretende retornar ao comando da Secretaria de Infraestrutura da Bahia. Inicialmente, sua saída seria temporária para focar no orçamento de 2026 e na própria reeleição. Agora, pesa também sua impaciência com as reclamações sobre o ritmo das obras. A expectativa é de que Jerônimo promova mudanças no secretariado entre dezembro e janeiro para acomodar pré-candidatos ao pleito de outubro.

Leque partidário
ACM Neto deixou a escolha do novo partido do deputado estadual Cafu Barreto (PSD) a cargo do próprio parlamentar. Ele ofereceu cinco legendas estratégicas para 2026: União Brasil, PSDB, Republicanos, PL e PP. Cafu deve decidir durante a janela partidária, em abril, após avaliar os cenários. O PL surge como favorito, atraído pela força eleitoral de Jânio Júnior, filho do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal. O desafio será justificar ao eleitor uma mudança tão brusca, deixando o campo lulista rumo ao bolsonarismo.

Lance arriscado
Nos dois lados da política baiana, a mudança de Cafu foi vista como um movimento para tentar sobreviver eleitoralmente. Na base de Jerônimo, a avaliação era de que ele não conseguiria se reeleger, com alguns aliados estimando menos de 15 mil votos. Considerado um aliado periférico e ligado ao senador Ângelo Coronel (PSD), perdeu espaço enquanto o governo e o senador Otto Alencar (PSD) fortaleciam outro nome da região de Irecê: Ricardo Rodrigues (PSD). No novo grupo, Cafu tentará reconstruir articulações.

Caminho inverso
Enquanto Cafu migra para a oposição, o prefeito de Ibititá, Afonso Mendonça (MDB), deve seguir para o lado do governo. Ele apoiou ACM Neto em 2022 e venceu as eleições municipais de 2024 derrotando o candidato de Cafu, Celson (PSD), que ficou em terceiro. A disputa ocorreu justamente no principal reduto eleitoral do deputado, que já administrou Ibititá por dois mandatos.

Prefeito sincerão
O prefeito de Santa Cruz Cabrália, Girlei Lage (PDT), virou assunto após um discurso cheio de sinceridade durante seu aniversário, no sábado (15), em um evento com feijoada e show no centro da cidade. Ele afirmou que deve deixar a prefeitura “mais liso do que entrou” e que muitos políticos presentes estavam ali “atrás de votos”. Sobrou até para o deputado federal Neto Carletto (PP), que ficou constrangido quando ouviu Girlei declarar, diante dele, que o “federal oficial de Cabrália” é Félix Mendonça Júnior (PDT), também no palanque.

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