O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (28) que o espaço aéreo da Venezuela deve ser tratado como “completamente fechado” por companhias aéreas. A afirmação foi publicada na Truth Social, plataforma criada pelo próprio republicano, e também serviu como alerta a grupos envolvidos com tráfico de drogas e de pessoas.
A mensagem surpreendeu até membros do próprio governo norte-americano. De acordo com a agência Reuters, autoridades da Administração Trump disseram desconhecer qualquer operação militar que justificasse um bloqueio aéreo venezuelano.
Horas após o post, o governo de Nicolás Maduro divulgou um comunicado condenando a declaração, classificando-a como uma “ameaça colonialista” e incompatível com normas internacionais. Caracas afirmou que o posicionamento de Trump é “ilegal e injustificado”, além de representar uma medida “hostil, unilateral e arbitrária”.
Segundo a nota oficial, o comentário faz parte de uma “política contínua de agressão” contra a Venezuela, alimentada por “intenções coloniais sobre a América Latina e o Caribe”, contrariando princípios básicos do direito internacional.
Escalada recente
As tensões entre Washington e Caracas vêm aumentando nos últimos meses. Os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Mar do Caribe sob a justificativa de combater o tráfico internacional de drogas. A operação já incluiu o abatimento de pequenas embarcações, resultando em mortes e elevando a tensão bilateral.
Duas semanas atrás, Trump mencionou a possibilidade de dialogar com Maduro, mas não explicou o conteúdo dessas eventuais negociações. Na semana seguinte, endureceu o discurso e sugeriu que poderia autorizar ações terrestres contra narcotraficantes na região.
Em resposta, Maduro ordenou que a Força Aérea do país se mantenha “em alerta, pronta e disposta” a defender a soberania venezuelana diante de possíveis ofensivas dos Estados Unidos.