Isenção do IR até R$ 5 mil reduz contribuintes e amplia distância em relação a países ricos

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, sancionada pelo presidente Lula e prevista para valer a partir de 2026, deve retirar cerca de 10 milhões de pessoas da base de declarantes. A medida, considerada eleitoralmente positiva para a classe média, diminui ainda mais o percentual de brasileiros que paga IR, acentuando a diferença em relação a nações desenvolvidas, onde praticamente toda a força de trabalho contribui. Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha — países com maior distribuição de renda — a maioria absoluta dos trabalhadores é tributada, enquanto no Brasil esse grupo tende a ser ainda menor.

O Ministério da Fazenda explica que desigualdade elevada e forte informalidade tornam difícil comparar o país com economias avançadas. A pasta aponta que pequenas alterações na faixa de isenção geram impacto expressivo no número de declarantes porque grande parte dos brasileiros recebe salários baixos. Economistas, por outro lado, afirmam que tributar lucros e dividendos — prática já consolidada em economias ricas — seria uma estratégia mais eficaz para elevar arrecadação, fortalecer justiça fiscal e reduzir impostos que recaem sobre o consumo.

Embora especialistas reconheçam que ampliar a isenção torna o sistema mais progressivo, eles alertam que a estrutura tributária permanece desequilibrada: contribuintes de alta renda continuam favorecidos por exceções e brechas legais, enquanto famílias de baixa renda seguem arcando com tributos regressivos. Instituições como o Inesc defendem mudanças que aproximem o Brasil de modelos adotados em países desenvolvidos. O próprio governo admite que uma reforma ampla do IR é necessária, mas avalia que transformações profundas só encontram espaço político no início de cada mandato. Informações do G1.

Deixe um comentário