Lula avalia não sancionar aumento de deputados e quer evitar desgaste com Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia se manter afastado da proposta que amplia o número de deputados federais de 513 para 531. Diante da forte rejeição popular e do impacto orçamentário, Lula estuda duas alternativas: vetar o projeto ou não se manifestar, o que permitiria ao Congresso promulgar a medida por conta própria.

Fontes próximas ao Planalto afirmam que, até o momento, a sanção está descartada. O presidente tem até 16 de agosto para tomar uma decisão. Parte de seus assessores defende a abstenção, estratégia que transferiria o ônus político ao Legislativo. Outra ala defende o veto, mas com receio de que a medida seja interpretada como uma retaliação após recentes embates entre os Poderes.

A proposta enfrenta forte oposição popular: segundo pesquisa Datafolha divulgada em 17 de julho, 76% dos brasileiros se disseram contrários ao aumento no número de parlamentares. Além do desgaste político, o acréscimo de cadeiras pode gerar um custo estimado em R$ 65 milhões anuais, considerando salários, benefícios e estrutura de gabinete.

O projeto, de iniciativa parlamentar, foi aprovado por margem apertada no Senado e teve tramitação acelerada na Câmara. Para aliados de Lula, sancionar a medida seria incoerente com o discurso do governo de controle de gastos e redução de desigualdades.

Caso Lula decida pelo silêncio, a promulgação do texto caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — cenário que, até o momento, é considerado o mais provável.

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