Quase metade dos estudantes brasileiros continua levando o celular para a escola, mesmo após a sanção de uma lei federal que restringe o uso do aparelho durante o período escolar. É o que aponta uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (27), realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info e com apoio do Lemann Center, da Universidade Stanford.
Sancionada em janeiro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova legislação proíbe o uso de celulares em sala de aula, durante intervalos, recreios e também em atividades extracurriculares. Apesar disso, 46% dos estudantes afirmam continuar levando o aparelho para a escola.
O comportamento é mais frequente entre alunos do ensino médio: 63% disseram utilizar o celular diariamente em locais como banheiros e quadras. No ensino fundamental II (6º ao 9º ano), 69% afirmaram não levar o aparelho.
Mesmo com a restrição, muitos estudantes alegam usar o celular com fins pedagógicos. Cerca de 65% relataram utilizá-lo para tirar dúvidas, acessar conteúdos escolares ou realizar atividades — ainda que, em sua maioria, sem orientação dos professores.
A pesquisa revela ainda que 56% dos alunos têm dificuldade para diminuir o tempo de uso do celular, mesmo com a nova regra em vigor, apontando para um desafio educacional e comportamental de longo prazo.
Outro dado relevante é a falha na comunicação das novas normas: um terço dos estudantes afirma não entender bem as restrições impostas pela lei, o que indica a necessidade de reforço na divulgação e no diálogo por parte das escolas.
Algumas instituições adotaram medidas para lidar com o problema, como o armazenamento dos aparelhos na entrada das escolas. No entanto, essa prática ainda é pouco comum — apenas 25% dos gestores entrevistados adotam a estratégia. A maioria dos alunos que leva o celular (63%) guarda o aparelho na mochila, o que pode indicar um uso mais controlado e consciente.