El Salvador se tornou um dos principais exemplos citados no debate sobre segurança pública na América Latina após registrar uma expressiva redução nos índices de criminalidade durante o governo do presidente Nayib Bukele. O país, que já foi considerado um dos mais violentos do mundo, passou a ser frequentemente mencionado por lideranças políticas da região em discussões sobre combate ao crime organizado.
Com cerca de 6 milhões de habitantes e território inferior ao do estado de Sergipe, El Salvador reduziu em mais de 90% a taxa de homicídios desde 2019, ano em que Bukele assumiu a Presidência. A queda nos indicadores é atribuída, em grande parte, às políticas de enfrentamento às gangues implementadas pelo governo.
A estratégia adotada pelo presidente incluiu medidas de endurecimento da segurança pública, ampliação das prisões e a adoção de um regime de exceção para combater organizações criminosas. As ações aumentaram a popularidade de Bukele dentro e fora do país, especialmente entre setores que defendem políticas mais rígidas contra a criminalidade.
Ao mesmo tempo, o modelo de governo tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos, especialistas e instituições internacionais. Entre os principais questionamentos estão mudanças que permitiram a reeleição presidencial, alterações na composição da Suprema Corte, denúncias de perseguição a opositores e preocupações com o respeito às garantias constitucionais e aos direitos fundamentais.
O cenário salvadorenho passou a alimentar um debate mais amplo na América Latina sobre os limites entre o fortalecimento da segurança pública e a preservação das instituições democráticas, em um contexto no qual o país se tornou referência tanto para apoiadores quanto para críticos do modelo adotado por Nayib Bukele.