O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas tende a produzir poucos efeitos práticos no combate ao crime organizado dentro do Brasil. Segundo ele, as medidas já adotadas pelas autoridades brasileiras permitem a investigação e repressão das atividades dessas organizações por meio da legislação vigente.
Durante análise sobre o tema, Gakiya argumentou que a classificação pode gerar consequências diplomáticas e jurídicas complexas, sem necessariamente ampliar a capacidade operacional das forças de segurança brasileiras. O promotor destacou que o enfrentamento ao crime organizado depende principalmente de inteligência, cooperação entre instituições e combate aos fluxos financeiros das organizações criminosas.
Ao comentar possíveis desdobramentos da medida, Gakiya também alertou para discussões envolvendo a soberania nacional. Na avaliação dele, a designação de grupos brasileiros como organizações terroristas por outro país poderia abrir espaço para interpretações sobre ações unilaterais de caráter extraterritorial, cenário que exigiria atenção das autoridades brasileiras.
O debate ganhou repercussão após o governo norte-americano anunciar a classificação das facções, provocando reações de integrantes do governo, da oposição e de especialistas em segurança pública. Enquanto alguns defendem que a medida fortalece a cooperação internacional contra o crime organizado, outros avaliam que os impactos concretos sobre as operações realizadas no Brasil ainda são incertos.
Autoridades brasileiras seguem acompanhando os possíveis efeitos da decisão, especialmente no que diz respeito à cooperação internacional, ao compartilhamento de informações e às medidas financeiras voltadas ao combate das organizações criminosas.