Trabaladores negros recebem cerca de R$ 3 mil a menos que brancos na Bahia, aponta relatório

Um relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontou que trabalhadores negros recebem, em média, cerca de R$ 3 mil a menos que trabalhadores brancos na Bahia. Os dados fazem parte do Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026 e evidenciam a desigualdade racial presente no mercado de trabalho baiano.

Segundo o levantamento, enquanto trabalhadores brancos possuem remuneração média de aproximadamente R$ 9,1 mil, trabalhadores negros recebem cerca de R$ 5,9 mil. A diferença salarial também aparece em cargos de liderança e funções de maior remuneração, como diretorias e gerências.

O estudo destaca ainda que a desigualdade persiste mesmo entre profissionais com níveis semelhantes de escolaridade. Entre pessoas com ensino superior completo, por exemplo, trabalhadores brancos chegam a receber cerca de 45% a mais do que trabalhadores negros.

Especialistas apontam que fatores históricos e estruturais ajudam a explicar o cenário, incluindo dificuldades de acesso a oportunidades, concentração da população negra em empregos mais precarizados e baixa presença em cargos de chefia. A pesquisa também indica que mulheres negras estão entre os grupos mais afetados pela desigualdade salarial no estado.

A legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias nas relações de trabalho, incluindo diferenças salariais motivadas por raça ou gênero. Apesar disso, pesquisadores e entidades ligadas ao tema afirmam que o combate à desigualdade salarial ainda depende da ampliação de políticas públicas, fiscalização e inclusão no mercado formal de trabalho.

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