As duas frentes da guerra comercial de Trump

A guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhou força nesta semana em duas frentes distintas: contra o Irã, com uma nova ofensiva para restringir as relações econômicas do país com o restante do mundo, e contra o Canadá, que decidiu reagir às tarifas impostas por Washington com novas barreiras sobre produtos americanos.

Na segunda-feira (24), Trump classificou o dia como um “Dia D” da ofensiva econômica contra o Irã. O governo americano anunciou uma nova rodada de sanções contra empresas e organizações ligadas ao regime de Teerã e ampliou a pressão sobre outros países que mantêm relações comerciais com os iranianos. A estratégia busca atingir não apenas diretamente a economia iraniana, mas também os canais utilizados pelo país para continuar negociando com parceiros estrangeiros.

A ofensiva representa uma tentativa de reduzir as fontes de receita do Irã e dificultar o acesso do país ao sistema financeiro e ao comércio internacional. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que a operação pretende atingir as principais fontes de sustentação econômica de Teerã. Ao mesmo tempo, Washington advertiu que países que continuarem fazendo negócios com o Irã poderão ser submetidos a sanções secundárias.

A medida aumenta a pressão principalmente sobre parceiros que mantêm relações econômicas importantes com o Irã. A China é particularmente relevante nesse cenário por ser um dos principais compradores do petróleo iraniano. Pequim, porém, sinalizou que pretende preservar suas relações comerciais com Teerã, o que cria um dos principais desafios para a estratégia americana de isolamento econômico. A Rússia também mantém relações com o Irã, embora sua capacidade econômica de ampliar esse apoio seja mais limitada.

Enquanto Washington amplia a pressão sobre o Irã, a segunda frente da disputa econômica se desenvolve na América do Norte. O Canadá anunciou nesta terça-feira (25) tarifas de retaliação sobre cerca de 700 produtos importados dos Estados Unidos. As alíquotas variam de 15% a 50% e devem atingir aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias americanas. As medidas entram em vigor em 8 de setembro.

A reação canadense ocorre depois que o governo Trump elevou para 50% as tarifas sobre determinados produtos canadenses e as negociações comerciais entre os dois países entraram em colapso. O governo de Mark Carney decidiu responder com tarifas direcionadas a setores americanos, buscando atingir empresas e regiões que possam exercer pressão política sobre Washington sem ampliar desnecessariamente o impacto sobre a própria economia canadense.

Entre os produtos atingidos estão itens de aço e alumínio, roupas, móveis, equipamentos, alimentos e outros bens de consumo. A lógica da medida é criar um custo para os exportadores americanos equivalente à pressão que as tarifas de Trump exercem sobre empresas canadenses. O governo canadense também anunciou um pacote de apoio a trabalhadores e empresas afetados pela disputa.

As duas situações mostram como a política comercial de Trump vem sendo utilizada como instrumento de pressão externa. No caso do Irã, o objetivo é dificultar sua capacidade de negociar e obter receitas no exterior. No caso do Canadá, as tarifas provocaram uma reação direta de um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

No curto prazo, as duas frentes aumentam a tensão econômica em torno dos Estados Unidos. A disputa com o Canadá ameaça encarecer produtos e pressionar empresas dos dois lados da fronteira, enquanto a ofensiva contra o Irã depende, em grande medida, da disposição de outros países — especialmente grandes parceiros comerciais de Teerã — de aceitar ou desafiar as ameaças de Washington.

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