O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, foi condenado a mais de 30 anos de prisão por crimes relacionados à posse irregular de armas de fogo. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (9) pela Comarca de Feira de Santana.
De acordo com a decisão, o parlamentar foi condenado a 10 anos e seis meses de detenção por posse de arma de fogo em desacordo com determinação legal e a 26 anos e três meses de reclusão por posse de arma de fogo com sinal identificador adulterado. Além da pena privativa de liberdade, ele deverá pagar dias-multa e iniciar o cumprimento da sentença em regime fechado.
A condenação tem origem em denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) após a apreensão de armas, munições e acessórios durante a Operação El Patrón, deflagrada em dezembro de 2023. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro, agiotagem, extorsão e exploração do jogo do bicho.
Segundo a sentença, embora possua registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), Binho Galinha mantinha armas e munições em locais não autorizados pelo Exército Brasileiro, armazenava armamentos com sinais identificadores adulterados e teria fornecido uma arma de fogo a um menor de idade.
Além do deputado, sua esposa, Mayana Cerqueira da Silva, foi condenada a três anos e seis meses de reclusão, em regime aberto. Outros três réus — Thierre Figueredo Silva, Jackson Macedo Araújo Júnior e Roque de Jesus Carvalho — também foram condenados e deverão cumprir pena em regime inicial semiaberto.
A Justiça determinou que apenas Binho Galinha permanecerá preso durante a tramitação dos recursos. Na decisão, a magistrada considerou que a pena superior a 20 anos, aliada à existência de outros processos em andamento contra o parlamentar e às investigações que o apontam como suposto líder da organização criminosa, justificam a manutenção da prisão para garantir a ordem pública e evitar a reiteração de crimes.
Em nota, a defesa afirmou que o deputado é inocente, classificou a condenação como desproporcional e sustentou que as armas apreendidas estavam regularmente registradas. Os advogados informaram que irão recorrer ao Tribunal de Justiça da Bahia e aos tribunais superiores, argumentando que a sentença transformou supostas irregularidades administrativas em condenações criminais. Segundo a defesa, a decisão não produz efeitos imediatos sobre a elegibilidade do parlamentar, que permanece no exercício do mandato enquanto houver possibilidade de recurso.