Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou aumento da desigualdade salarial entre mulheres, pessoas negras e trabalhadores brancos na Bahia. Os dados, extraídos de pesquisas sobre rendimento e mercado de trabalho, mostram que diferenças de remuneração seguem presentes e, em alguns segmentos, registraram ampliação nos últimos anos.
De acordo com o estudo, mulheres continuam recebendo, em média, salários inferiores aos dos homens em ocupações equivalentes, enquanto trabalhadores pretos e pardos permanecem com rendimentos abaixo dos registrados entre pessoas brancas, mesmo quando possuem escolaridade semelhante ou atuam em funções compatíveis.
Na Bahia, o cenário reflete características históricas do mercado de trabalho, marcado por alta informalidade, concentração de renda e menor presença de grupos minorizados em cargos de liderança e setores com maior remuneração. Especialistas ouvidos em análises econômicas apontam que fatores como segregação ocupacional, acesso desigual à qualificação profissional e barreiras estruturais ajudam a explicar a persistência do quadro.
O levantamento também mostra que, apesar de avanços em indicadores de escolarização e participação no mercado formal, mulheres e população negra ainda encontram maiores dificuldades para alcançar postos de comando ou funções com maior estabilidade e benefícios trabalhistas.
Os dados devem subsidiar discussões sobre políticas públicas de inclusão produtiva, igualdade de oportunidades e combate à discriminação no ambiente de trabalho, tanto no setor público quanto na iniciativa privada.