O crescimento dos relacionamentos com inteligência artificial tem chamado a atenção de governos e especialistas em saúde mental. Na última semana, a China implementou uma regulamentação que proíbe os chamados “namorados virtuais” criados por IA, sob o argumento de reduzir a dependência emocional e o risco de vício entre os usuários.
A medida levou empresas como ByteDance e Alibaba a suspenderem esse tipo de funcionalidade. Nas redes sociais chinesas, usuários lamentaram a decisão e relataram que os companheiros virtuais se tornaram importantes fontes de apoio emocional.
O mercado de companhias virtuais na China registra crescimento superior a 80% ao ano e movimentou mais de R$ 3 bilhões em 2024, demonstrando a rápida expansão desse segmento.
O fenômeno, porém, não se limita ao país asiático. Um levantamento da Common Sense Media aponta que quase três em cada quatro adolescentes dos Estados Unidos já utilizaram companheiros criados por inteligência artificial para estabelecer relacionamentos pessoais.
O avanço dessa tecnologia ocorre em um cenário de aumento da solidão em diferentes partes do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas sofre com a solidão, condição que a entidade classifica como uma ameaça global à saúde pública devido aos impactos sobre o bem-estar físico e mental.
Especialistas apontam que o crescimento da chamada “economia da intimidade”, baseada em vínculos emocionais mediados por inteligência artificial, levanta debates sobre os benefícios e os riscos dessas ferramentas, especialmente em relação à dependência emocional e ao isolamento social.