A professora de Biologia Michele Ramos, da rede municipal de ensino de São José dos Campos (SP), tornou público um episódio de violência ocorrido dentro da sala de aula após um aluno colocar fragmentos de vidro em seu copo de água durante uma atividade escolar. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e resultou no afastamento da docente, que sofreu um colapso emocional.
Em entrevista ao jornal O Globo, Michele contou que o incidente aconteceu durante uma aula para uma turma do 8º ano. Enquanto preparava uma atividade prática com microscópio, ela pediu que um estudante buscasse água. Ao retornar, percebeu que o comportamento da turma havia mudado e foi alertada por alguns alunos para que não bebesse a água. Em seguida, descobriu que havia pedaços de vidro dentro do copo.
A professora comunicou imediatamente a direção da escola, solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança e registrou um boletim de ocorrência. Posteriormente, um dos estudantes confessou ter colocado o vidro no copo. Segundo Michele, outros dois alunos participaram da situação, sugerindo a ação e ajudando a esconder o ocorrido.
Após o episódio, a docente sofreu uma forte crise emocional, precisou deixar a escola, recebeu atendimento médico e registrou uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), classificando o caso como um acidente laboral causado pelo impacto psicológico da ocorrência.
Michele relatou que já enfrentava problemas de ansiedade desde o início da carreira, em 2020, em razão de episódios de desrespeito, indisciplina e sobrecarga emocional no ambiente escolar. Em 2022, passou a sofrer crises de pânico e iniciou tratamento medicamentoso para conseguir continuar lecionando.
O caso ganhou repercussão nacional após a professora publicar um vídeo nas redes sociais relatando o ocorrido. Desde então, ela afirma ter recebido apoio de colegas, ex-alunos e professores de diferentes estados, que compartilharam experiências semelhantes envolvendo agressões, ameaças e outras formas de violência nas escolas.
Após o ocorrido, a Prefeitura de São José dos Campos ofereceu a transferência da professora para outra unidade escolar. No entanto, Michele afirma que ainda avalia se retornará às salas de aula devido ao trauma e ao receio de enfrentar novos episódios de violência.
A docente também defendeu a criação de políticas públicas voltadas ao combate à violência escolar, com o fortalecimento da participação das famílias, a produção de dados sobre esses casos e a ampliação do suporte psicológico para professores e estudantes.