Apesar da redução da taxa geral de homicídios no Brasil para o menor patamar dos últimos 14 anos, grupos específicos da população seguem enfrentando níveis elevados de violência. É o que aponta a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada neste ano.
Segundo o levantamento, fatores como raça, gênero, orientação sexual e idade influenciam diretamente a exposição a diferentes tipos de crimes violentos. Entre as vítimas de homicídio registradas no país, 80% são pessoas negras, evidenciando a desigualdade racial na violência letal.
O estudo também mostra que os casos de feminicídio atingiram o maior número da série histórica em 2025. Em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia em razão da condição de gênero.
Em relação à população LGBT+, o anuário aponta um crescimento superior a 35% nos registros de violência em comparação com o ano anterior. Os pesquisadores destacam, porém, que esses dados representam apenas parte da realidade, já que esse tipo de crime é amplamente subnotificado.
Crianças e adolescentes também aparecem entre os grupos mais vulneráveis. De acordo com o levantamento, seis em cada dez vítimas de estupro no Brasil têm menos de 14 anos. Além disso, os registros de bullying e cyberbullying aumentaram quase 70% em apenas um ano.
Os dados reforçam que, embora a violência letal tenha recuado no país, seus impactos continuam concentrados de forma desproporcional sobre populações historicamente vulneráveis.