O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou forte reação positiva no mercado financeiro. Na abertura do pregão desta segunda-feira (5), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu mais de 7% e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 200 mil pontos. Ao mesmo tempo, a curva de juros futuros caiu e o dólar recuou para menos de R$ 5.
A reação dos mercados está relacionada ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas e à composição do Congresso Nacional, que deverá ter uma maioria de parlamentares alinhados à direita. Parte do mercado avalia que esse cenário pode facilitar a aprovação de medidas econômicas de perfil mais liberal em um eventual governo do candidato.
Apesar da reação positiva, investidores também demonstram dúvidas sobre o compromisso de Flávio com uma agenda econômica liberal e sobre o espaço que essas pautas teriam em seu governo. A avaliação é de que o resultado eleitoral, por si só, não garante que as propostas defendidas por setores do mercado serão colocadas em prática.
No segundo turno, Flávio e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão de apresentar propostas para enfrentar os principais desafios da economia brasileira. Entre os temas que devem estar no centro da disputa estão o equilíbrio das contas públicas, a trajetória da dívida, os juros, os investimentos e as políticas de crescimento econômico.
Também há incertezas em relação às propostas dos dois candidatos e à capacidade de cada um de construir apoio político para implementar sua agenda. O cenário do Congresso será um dos fatores que poderão influenciar a condução da política econômica a partir de 2027.