A violência aparece como uma das principais preocupações do eleitorado brasileiro na eleição de 2026. Segundo a mais recente pesquisa Quaest, 33% dos brasileiros apontam o tema como a principal preocupação para as eleições de outubro. O índice supera outras questões relevantes, como economia, saúde e corrupção.
Os dados da segurança pública ajudam a explicar a preocupação. Embora o número de mortes violentas esteja em queda, mais de 40 mil brasileiros foram assassinados em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Feminicídios, roubos e furtos de celulares, estelionatos e crimes cibernéticos também permanecem em níveis elevados. Além disso, quase 70 milhões de pessoas afirmam viver em bairros com presença de facções criminosas.
Diante desse cenário, os candidatos à Presidência apresentam propostas diferentes para enfrentar os diversos aspectos da violência. As medidas incluem ações contra organizações criminosas, mudanças no sistema de segurança pública, endurecimento de penas, investimentos em tecnologia e políticas de prevenção.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende uma maior integração entre União, estados e municípios, com compartilhamento de informações e fortalecimento das ações de inteligência. A proposta também inclui o uso de tecnologias de monitoramento e câmeras corporais e medidas para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.
Na área de prevenção, Lula dá destaque a políticas voltadas para jovens em áreas vulneráveis, com ações relacionadas a educação, oportunidades e redução da exposição ao recrutamento por facções. O candidato também se posiciona contra a redução da maioridade penal.
Já Flávio Bolsonaro (PL) aposta em medidas de endurecimento do combate ao crime. Entre as propostas estão a redução da maioridade penal para 16 anos, o fim da progressão de regime, a construção de 500 mil vagas no sistema prisional e a castração química para condenados por estupro.
O candidato também defende o fortalecimento das polícias, a ampliação do uso de armas e a participação das Forças Armadas no controle das fronteiras e no combate ao tráfico de drogas. Outra proposta é classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas.
Ronaldo Caiado (PSD) também coloca o combate ao crime organizado entre as prioridades e propõe a criação de uma rede nacional de presídios de segurança máxima. A medida seria voltada principalmente para criminosos considerados de alta periculosidade e integrantes de organizações criminosas.
Outros candidatos apresentam propostas relacionadas ao uso de novas tecnologias. Entre elas está a utilização de inteligência artificial para auxiliar as forças de segurança na identificação de padrões criminais e no monitoramento de ocorrências. As medidas, no entanto, dependem de investimentos em infraestrutura, qualificação dos agentes e integração entre os diferentes sistemas públicos.
O enfrentamento à violência contra a mulher também faz parte da agenda de segurança. Além do endurecimento das punições para crimes como feminicídio e estupro, as propostas envolvem medidas de prevenção, proteção às vítimas e ampliação da capacidade de atendimento às mulheres ameaçadas.
O debate eleitoral, portanto, reúne estratégias distintas para lidar com a violência. Enquanto parte dos candidatos prioriza o endurecimento das penas, o aumento da estrutura policial e o reforço do sistema prisional, outras propostas concentram-se em inteligência, integração das forças de segurança, combate ao financiamento das facções e prevenção. A efetividade das medidas dependerá, além das propostas, da capacidade de articulação entre União, estados e municípios e dos recursos destinados à segurança pública.