A relação entre os Poderes da República passou por mudanças significativas desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Embora o texto constitucional estabeleça que Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si, o Congresso Nacional ampliou sua influência sobre decisões políticas e orçamentárias ao longo das últimas quatro décadas.
O modelo estabelecido durante a redemocratização colocou a Presidência da República no centro do poder político brasileiro. Com o passar dos anos, porém, alterações nas regras internas do Legislativo, processos de impeachment de presidentes e a ampliação do controle parlamentar sobre o Orçamento contribuíram para modificar esse equilíbrio.
O Congresso passou a exercer maior influência sobre a definição das prioridades de gastos públicos, aumentando sua capacidade de negociação com o Executivo. A participação dos parlamentares na destinação de recursos também se tornou um dos principais instrumentos de poder político dentro do Legislativo.
Esse processo não ocorreu de forma isolada. Mudanças regimentais e institucionais fortaleceram gradualmente a atuação das duas Casas do Congresso, ampliando seu espaço nas decisões nacionais e reduzindo a concentração de poder tradicionalmente associada ao Executivo.
Ao mesmo tempo em que ganhou força institucional, o Legislativo também apresentou mudanças em sua composição. Historicamente, a taxa de renovação das cadeiras do Congresso vem diminuindo, o que contribui para a permanência de grupos políticos e parlamentares por períodos mais longos.
O resultado é um Congresso com maior capacidade de interferência nas decisões do país e um sistema político em que a relação entre Executivo e Legislativo se tornou cada vez mais baseada em negociação e compartilhamento de poder.