Desembargadora gera polêmica ao criticar cortes de benefícios enquanto tribunal mantém carros de luxo

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), tornou-se alvo de críticas após declarar preocupação com a redução de benefícios na magistratura enquanto usufrui de estrutura custeada pelo próprio tribunal, incluindo carro de luxo com motorista.

Durante sessão, a magistrada afirmou que cortes em gratificações poderiam levar juízes a uma situação comparável a um “regime de escravidão”. A fala repercutiu amplamente e gerou debate sobre remuneração e benefícios no Judiciário.

Dados divulgados posteriormente indicam que a desembargadora recebeu cerca de R$ 117,8 mil brutos em um único mês, valor que não inclui benefícios indiretos.

Além disso, a magistrada tem à disposição um veículo híbrido de alto padrão — modelo avaliado em aproximadamente R$ 175 mil — com motorista exclusivo, custeado por contrato do tribunal.

O TJ-PA mantém uma frota de veículos para desembargadores, com custo estimado em cerca de R$ 544 mil mensais, podendo ultrapassar R$ 32 milhões ao longo de cinco anos. Segundo o tribunal, a estrutura é justificada pela necessidade de deslocamento para compromissos institucionais e atividades oficiais.

A diferença entre o discurso da magistrada e os benefícios disponíveis reacendeu discussões sobre gastos públicos, privilégios e transparência no Judiciário. Especialistas apontam que o episódio evidencia tensões recorrentes entre demandas da magistratura e a percepção social sobre remuneração e estrutura oferecida à categoria.

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