Empresas e entidades brasileiras intensificaram a atuação de lobby em Washington para tentar conter novas tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo levantamento do Estadão/Broadcast, ao menos 17 grupos brasileiros contrataram empresas especializadas em relações governamentais nos Estados Unidos desde 2025, com gastos que somam US$ 8,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 42,2 milhões. As informações são do jornal Estadão.
Entre as entidades que ampliaram a atuação estão a Amcham Brasil e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). Já empresas como Portobello, Bauducco, Tupy, Taurus e Weg passaram a investir nesse tipo de estratégia pela primeira vez.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, destinou US$ 700 mil para contratar um escritório de lobby com atuação junto aos Departamentos de Comércio e de Estado dos Estados Unidos. A investigação comercial que resultou na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi apontada por cinco entidades e empresas como uma das principais frentes de atuação.
A mobilização ocorre em meio à preocupação do setor produtivo com novas medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos. Atualmente, cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano foram atingidas pela tarifa adicional, embora mais de 2 mil produtos tenham sido excluídos da sobretaxa.
Além disso, representantes do setor privado acompanham uma investigação relacionada a produtos supostamente fabricados com trabalho forçado, que poderá resultar em uma nova tarifa de 12,5%. A avaliação é de que o Brasil pode voltar a ser afetado caso novas restrições comerciais sejam implementadas.