O Plantão Judiciário decretou, neste sábado (18), a prisão preventiva do argentino Sebastian Fernando Ayala, investigado por injúria racial após fazer gestos associados à imitação de um macaco contra um homem negro em Morro de São Paulo, no município de Cairu, na Bahia. O caso ocorreu na última terça-feira (15) e foi registrado em vídeo, que repercutiu nas redes sociais.
A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo Lagrota, que acolheu o pedido da Delegacia Territorial de Cairu. Na decisão, o magistrado rejeitou a alegação de que o gesto teria sido apenas uma “brincadeira” e afirmou que esse argumento não descaracteriza o caráter racista da conduta.
Segundo o juiz, utilizar a expressão “brincadeira” para justificar atos dessa natureza é uma forma de minimizar manifestações de racismo. “A utilização do termo ‘brincadeira’ para mascarar o preconceito racial é um dos artifícios mais perversos do racismo estrutural, pois tenta esvaziar a gravidade de atos que geram profunda repulsa social”, escreveu.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Sebastian Fernando Ayala deixou o Brasil após a repercussão do caso. Conforme o relatório policial, ele saiu de Morro de São Paulo em direção ao Aeroporto de Salvador e embarcou, na manhã do dia 16 de julho, para o Rio de Janeiro. Em seguida, seguiu em voo internacional com destino a Buenos Aires, na Argentina.
Para o magistrado, a saída do país, somada à ausência de residência ou vínculo formal no Brasil, indica a intenção de dificultar a aplicação da lei penal brasileira.
Segundo o relato da vítima, o episódio aconteceu em um restaurante durante a transmissão da semifinal da Copa do Mundo entre Argentina e Inglaterra. Após a vitória da seleção argentina por 2 a 1, um dos torcedores fez o gesto considerado racista em direção a um brasileiro. O caso é investigado pela Polícia Civil como injúria racial.