OMM prevê fortalecimento do El Niño e alerta para calor extremo e impactos no Brasil

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) atualizou suas projeções e prevê que o fenômeno El Niño começará a se intensificar a partir de agosto, atingindo maior força entre os meses de agosto e outubro. A expectativa é de temperaturas acima da média em grande parte do planeta, além do aumento do risco de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e incêndios florestais.

Segundo a OMM, as anomalias da temperatura da superfície do mar devem superar 2,9°C em áreas estratégicas do Oceano Pacífico, reforçando os efeitos do El Niño sobre o clima global. A organização também projeta a ocorrência de um Dipolo Positivo do Oceano Índico, caracterizado pelo aquecimento das águas na porção oeste do oceano e resfriamento na região leste.

De acordo com a agência, a combinação desses fenômenos pode ampliar os impactos climáticos em diversas regiões do mundo. Além disso, as temperaturas da superfície do Atlântico Tropical devem permanecer acima da média, contribuindo para um cenário de maior aquecimento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a intensificação do El Niño agrava uma crise climática já impulsionada pelas emissões de combustíveis fósseis. Segundo ele, ondas de calor, incêndios florestais e tempestades tendem a se tornar ainda mais severos caso não haja medidas para reduzir as causas das mudanças climáticas.

Especialistas também alertam para a possibilidade de novos recordes de temperatura. O climatologista Jeffrey Shaman, da Universidade de Columbia, avalia que o Hemisfério Norte poderá enfrentar um verão sem precedentes no próximo ano, diante da combinação entre o El Niño e o aquecimento global.

As projeções da OMM indicam probabilidade muito elevada de temperaturas acima da média em regiões como África, sul da Europa, Península Arábica, subcontinente indiano, leste da Ásia, América Central, Caribe, grande parte da América do Sul e Nova Zelândia.

Em relação às chuvas, o padrão previsto é semelhante ao de episódios intensos do El Niño. A tendência é de maior volume de precipitações no Chifre da África, em partes da América Central, no sul da Europa, no oeste da América do Norte e no sudeste da América do Sul. Já o subcontinente indiano, o sul e leste da Austrália, parte do Caribe, o noroeste da América do Sul e o norte da Europa devem registrar condições mais secas.

No Brasil, especialistas acompanham com preocupação os possíveis efeitos do chamado “Super El Niño”. A expectativa é de uma nova seca severa na Amazônia, com impactos sobre a navegação e o transporte de cargas pelos rios da região, repetindo dificuldades registradas durante o episódio de 2023-2024.

Outro efeito esperado é o aumento dos custos da energia elétrica. A redução das chuvas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste pode diminuir a geração hidrelétrica, exigindo maior acionamento de usinas termelétricas. Segundo estimativas de consultorias do setor, esse cenário poderá provocar reajustes médios de cerca de 4,5% nas tarifas de energia.

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