O partido Missão, que tem Renan Santos como candidato à Presidência da República, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de uma investigação sobre a filiação indevida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à legenda. A representação foi apresentada nesta sexta-feira (14).
O caso veio à tona na quinta-feira (13), quando Flávio Bolsonaro tentou registrar sua candidatura à Presidência e apareceu como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral.
O TSE afirmou que seus sistemas não foram alvo de ataque hacker e informou que a filiação foi realizada por uma pessoa que tinha credenciais de acesso do Missão. Horas depois, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL e a retirada do vínculo com o Missão do histórico partidário. O sistema de filiação também foi suspenso.
Partido afirma ter sido vítima de fraude
Na representação enviada ao TSE, o Missão afirma ter sido vítima de fraude e sustenta que a filiação de Flávio Bolsonaro ocorreu sem autorização da legenda.
Segundo o partido, informações falsas e divergentes foram inseridas no sistema de filiação e posteriormente validadas pela plataforma da Justiça Eleitoral.
A legenda reconheceu ter identificado uma falha em seu próprio sistema de filiação, mas afirmou que não houve ação intencional de dirigentes ou integrantes autorizados a realizar os procedimentos junto à Justiça Eleitoral.
De acordo com o Missão, uma sequência de falhas nos mecanismos de controle teria permitido que terceiros explorassem o sistema.
Dados de Flávio teriam sido adulterados
Na quinta-feira, o partido informou que sua equipe de tecnologia identificou os dados utilizados no cadastro de Flávio Bolsonaro. Entre as informações inseridas estavam um endereço falso no Rio de Janeiro e dados pessoais divergentes.
A legenda afirma que o CPF e o endereço associados ao cadastro foram adulterados.
O Missão também registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Federal e comunicou o episódio ao TSE assim que identificou a alteração.
Outros candidatos também foram alvo de tentativas
O TSE informou que identificou tentativas de alteração da filiação partidária de outros candidatos à Presidência, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com a Corte, as mudanças não chegaram a ser efetivadas.
O Missão pede que o TSE investigue as circunstâncias da fraude, identifique os responsáveis e esclareça quais falhas permitiram a alteração dos dados no sistema eleitoral.
O prazo para filiação partidária dos candidatos às eleições gerais de 2026 terminou em 4 de abril. A filiação a um partido é uma das condições de elegibilidade previstas na legislação eleitoral.