Promotores de Paris, na França, convocaram o empresário Elon Musk para prestar depoimento no âmbito de uma investigação que apura a circulação de conteúdos ilegais na rede social X (antigo Twitter). A oitiva foi classificada como “entrevista voluntária”, etapa inicial do processo investigativo.
O caso envolve suspeitas relacionadas à disseminação de material de abuso sexual infantil e à produção e circulação de deepfakes — conteúdos manipulados por inteligência artificial — dentro da plataforma. As autoridades francesas investigam se houve falhas na moderação ou até possível cumplicidade na propagação desses materiais.
Além de Musk, a ex-executiva da empresa Linda Yaccarino também foi convocada, e outros funcionários devem ser ouvidos como testemunhas. A investigação foi aberta em 2025 e ampliada ao longo do tempo para incluir diferentes frentes, como o funcionamento dos algoritmos da plataforma e o uso de ferramentas de IA, como o chatbot Grok.
Segundo os promotores, o objetivo das oitivas é permitir que os responsáveis pela empresa apresentem esclarecimentos e eventuais medidas para adequação às leis francesas. Até o momento, não há confirmação de que Musk comparecerá às autoridades em Paris.
O inquérito também avalia se decisões técnicas adotadas pela plataforma contribuíram para a redução de mecanismos de controle de conteúdo sensível. Dados citados pelas investigações indicam queda significativa em relatórios de proteção infantil enviados por sistemas da empresa.
O caso ocorre em meio a um cenário mais amplo de pressão regulatória sobre grandes plataformas digitais na Europa, especialmente em relação à moderação de conteúdo, uso de inteligência artificial e responsabilidade das empresas sobre o que é publicado por usuários.