A segunda pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial de 2026, divulgada nesta quarta-feira (21), aponta uma disputa marcada pelo equilíbrio entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O senador aparece numericamente à frente, com 45% das intenções de voto, contra 44% do atual presidente. A diferença de um ponto percentual, entretanto, configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos.
Um dos dados que mais chamam a atenção nesta rodada é o crescimento dos eleitores indecisos na pesquisa espontânea. Quando os entrevistados precisam declarar o voto sem receber uma lista de candidatos, Lula e Flávio aparecem empatados com 40% cada. Nesse cenário, o percentual de indecisos dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%.
O levantamento também revela mudanças nos índices de rejeição dos candidatos, indicando alterações na percepção do eleitorado durante a reta final da campanha. Os números mostram que a disputa não depende apenas da capacidade de conquistar novos votos, mas também da mobilização dos eleitores que já demonstram alguma preferência.
Rejeição e medo também apresentam mudanças
Outro aspecto importante da pesquisa está nos índices de rejeição. Lula registrou queda de seis pontos percentuais, passando de 53% para 47%. Flávio Bolsonaro também apresentou redução, mas menor: de 54% para 52%.
Os números indicam que a resistência aos dois candidatos diminuiu, embora Flávio ainda apresente rejeição cinco pontos superior à de Lula.
Na avaliação sobre os temores relacionados ao resultado eleitoral, 44% dos entrevistados afirmaram ter mais medo de uma volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% disseram temer uma nova reeleição de Lula. Na rodada anterior, os dois índices estavam empatados em 43%.
Esses dados mostram uma disputa em que a avaliação dos candidatos não está limitada à aprovação de suas propostas ou trajetórias. A rejeição e o receio em relação ao adversário também fazem parte da percepção dos eleitores.
Indecisos e alienação eleitoral podem fazer diferença
O crescimento dos indecisos merece atenção especial porque acontece justamente na reta final da campanha. Na pesquisa espontânea, o percentual passou de 7% para 14%, enquanto os dois candidatos recuaram numericamente de suas posições anteriores para 40% cada.
É importante destacar que esses 14% não representam necessariamente eleitores que não votarão. São pessoas que não conseguiram ou não quiseram declarar espontaneamente uma preferência. Na pergunta estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados, apenas 2% aparecem como indecisos.
A chamada alienação eleitoral também merece atenção. O conceito envolve o afastamento do eleitor do processo de escolha, seja pela abstenção, seja pelo voto branco ou nulo. Na pesquisa estimulada, essas possibilidades, agrupadas, somam 9%.
Esse contingente pode ter importância na definição do resultado porque a eleição não depende apenas de convencer quem ainda está indeciso, mas também de garantir que os eleitores já identificados com cada candidatura efetivamente compareçam às urnas.
Em uma disputa tão apertada, diferenças na participação eleitoral podem alterar a composição dos votos válidos. Entretanto, não é possível afirmar antecipadamente qual candidatura seria mais beneficiada por uma eventual abstenção: isso depende de quais grupos deixariam de votar.
O que a pesquisa revela sobre o eleitorado?
O levantamento apresenta três aspectos centrais:
- Equilíbrio nas intenções de voto: a diferença de apenas um ponto percentual entre Lula e Flávio mantém a disputa dentro da margem de erro.
- Aumento da indefinição: o crescimento dos indecisos na pesquisa espontânea demonstra que uma parcela expressiva dos entrevistados ainda não manifesta uma escolha consolidada.
- Mudanças na rejeição: a queda nos índices dos dois candidatos indica alterações na resistência do eleitorado em relação às candidaturas.
A pesquisa Quaest ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro, em diferentes regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-08535/2026.
A fotografia apresentada pela Quaest é de uma eleição polarizada, com dois candidatos concentrando níveis semelhantes de intenção de voto e rejeição. Mais do que a diferença numérica entre eles, os dados sobre indecisão e participação eleitoral ajudam a compreender a complexidade da disputa.