O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de 76 anos, foi escolhido pelo PSD como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Médico de formação, líder ruralista e político com mais de três décadas de vida pública, Caiado construiu sua trajetória com base em pautas conservadoras, forte proximidade com o agronegócio e um discurso voltado à segurança pública e às críticas aos governos do PT.
A definição do partido ocorreu em meio a divergências internas. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também era pré-candidato, era considerado por parte da legenda uma alternativa mais alinhada ao centro. Após a decisão, Leite criticou a escolha do partido e afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que a definição “desencanta” a ele e a “tantos outros brasileiros”. O governador também relatou ter recebido apoio de lideranças políticas, economistas e integrantes da sociedade civil durante sua pré-candidatura.
Na atuação política mais recente, Caiado colocou a segurança pública no centro de sua agenda e de sua projeção nacional. O governador se tornou um dos principais críticos à PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal para reorganizar o sistema de segurança. Ele também participou de articulações relacionadas ao PL Antifacção, defendendo, entre outras medidas, a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas.
A relação de Caiado com o bolsonarismo foi marcada por aproximações e distanciamentos. Em 2018, apoiou Jair Bolsonaro e se beneficiou da onda conservadora daquele período para ser eleito governador de Goiás ainda no primeiro turno. No comando do estado, porém, buscou reforçar uma imagem de gestor técnico, com foco no equilíbrio fiscal e em políticas de segurança pública.
O distanciamento em relação a Bolsonaro aumentou durante a pandemia de Covid-19, quando Caiado adotou medidas sanitárias mais rígidas e fez críticas à condução da crise pelo governo federal. Após os atos de 8 de janeiro de 2023, condenou publicamente as invasões e reafirmou seu compromisso com o Estado Democrático de Direito. Posteriormente, passou a fazer novos acenos ao eleitorado conservador ligado ao bolsonarismo e defendeu uma anistia ampla para o ex-presidente e pessoas condenadas pelos atos.
Durante a apresentação de suas propostas, Caiado afirmou que, caso seja eleito, pretende anistiar pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a medida teria como objetivo “pacificar o país”. O candidato também prometeu encaminhar ao Congresso, já no início de um eventual governo, propostas de reformas administrativa e política, além da revisão de pontos da reforma tributária. Ele também defende a discussão de uma nova reforma da Previdência.
Na área de segurança pública, Caiado propõe a criação de uma polícia integrada entre os países da América do Sul para combater o crime organizado transnacional. A ideia, segundo ele, permitiria uma atuação conjunta das forças de segurança dos países que fazem fronteira com o Brasil.