A relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional voltou a se deteriorar após as recentes operações da Polícia Federal relacionadas ao uso de emendas parlamentares. O episódio ampliou o desgaste entre o Palácio do Planalto e as principais lideranças do Legislativo, incluindo os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo informações do Estadão, Alcolumbre atribui ao governo influência nas investigações e na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, além da suspensão da execução de emendas parlamentares que estão sob investigação.
Em meio ao cenário de tensão, o Partido dos Trabalhadores intensificou uma campanha nas redes sociais para pressionar o Senado a votar, antes do recesso parlamentar, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A mobilização utiliza a hashtag “Aprova Senado” e reúne manifestações de dirigentes e lideranças da legenda, que defendem a análise da proposta ainda nesta semana.
O clima de confronto entre Executivo e Legislativo também pode afetar o andamento de outras pautas consideradas prioritárias pelo governo federal. Entre elas estão a PEC da Segurança Pública e a Medida Provisória do Frete, cuja validade está próxima do vencimento.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que o aumento da crise política e o avanço das investigações envolvendo emendas parlamentares tendem a dificultar as negociações entre os Poderes, podendo adiar a votação de projetos estratégicos para o governo.