Dados recentes sobre a realidade de estudantes no país indicam que a violência sexual segue sendo um problema relevante entre adolescentes. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), mostram que uma parcela significativa de jovens já vivenciou algum tipo de abuso.
De acordo com a pesquisa, cerca de 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram ter sofrido violência sexual ao longo da vida — o equivalente a aproximadamente 1 em cada 7 adolescentes. Em recortes específicos, como entre meninas, esse percentual é ainda mais elevado, chegando a cerca de 20%, ou 1 em cada 5.
Os dados consideram diferentes formas de violência, incluindo toques sem consentimento, exposição do corpo, beijos forçados e relações sexuais impostas. A pesquisa também indica que muitos casos ocorrem ainda na infância, frequentemente antes dos 14 anos.
Especialistas apontam que a divergência entre números divulgados — como estimativas que falam em 1 em cada 4 adolescentes — pode estar relacionada a diferentes metodologias, recortes de idade ou ampliação do conceito de violência sexual em estudos mais recentes. Ainda assim, todos os levantamentos convergem ao indicar alta incidência e subnotificação.
Outro ponto destacado é que meninas são as principais vítimas, enquanto os agressores, na maioria dos casos, são pessoas conhecidas, muitas vezes do convívio familiar ou social.
Além disso, pesquisadores alertam que os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos não são denunciados por medo, vergonha ou falta de acesso a canais de apoio. Estimativas apontam que apenas uma pequena parcela das ocorrências chega ao conhecimento das autoridades.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de políticas públicas de prevenção, educação sexual nas escolas e fortalecimento de redes de proteção para crianças e adolescentes.