O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria encomendado vídeos anônimos para desacreditar os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo, durante a cobertura do caso Banco Master. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em conversas obtidas pela Polícia Federal (PF).
As mensagens trocadas entre Vorcaro e Ana Lúcia Matos, então superintendente de comunicação e marketing do banco, indicam que a executiva encaminhava roteiros e rascunhos dos vídeos ao ex-banqueiro para aprovação. Em um dos diálogos, ele orientou a retirada do nome de O Globo do texto e sugeriu que as críticas fossem direcionadas diretamente aos jornalistas.
Em resposta, Ana Lúcia afirmou que prepararia o material e demonstrou interesse em atingir também o jornal. Um dos roteiros sugeria chamar Malu Gaspar de “Mãe Diná da Faria Lima” e questionar a precisão das informações publicadas pela jornalista.
Sobre Lauro Jardim, a proposta era insinuar uma relação de proximidade entre o colunista e o BTG Pactual, cuja sede fica no edifício Malzoni, em São Paulo. O texto sugerido questionava a frequência com que o jornalista compareceria ao local e previa a criação de conteúdo que pudesse viralizar nas redes sociais.
Procurada pelo Estado de S. Paulo, Ana Lúcia afirmou não ter tido acesso ao material original e disse não ter condições de verificar sua autenticidade. Ela também declarou estar sendo exposta publicamente sem acesso aos elementos necessários para exercer plenamente sua defesa.
Em nota divulgada no mês anterior, a defesa de Vorcaro negou que ele tenha praticado, determinado ou participado de qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra terceiros.
O Globo repudiou a iniciativa e afirmou que a campanha representaria uma tentativa de intimidar a imprensa e desacreditar o jornalismo profissional. O veículo declarou que seus jornalistas continuarão apurando e noticiando fatos de interesse público com rigor e independência.
Outras suspeitas de intimidação
O episódio se soma a outras conversas atribuídas a Vorcaro envolvendo os dois jornalistas. Em março, foram divulgadas mensagens nas quais o ex-banqueiro teria discutido a possibilidade de simular um assalto contra Lauro Jardim como forma de intimidação. Em um dos trechos reproduzidos no processo, ele manifestou intenção de agredir o colunista.
A defesa de Vorcaro afirmou que as mensagens foram escritas em momentos de indignação.
Em julho, também vieram a público conversas nas quais Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, da agência Mithi, discutiam a busca por informações pessoais de Malu Gaspar. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro afirmou que seria necessário encontrar algo relacionado à vida pessoal da jornalista. Miranda respondeu que investigaria o assunto.
Posteriormente, o publicitário relatou não ter encontrado sequer multas de trânsito em nome dela. Miranda nega irregularidades, e sua defesa afirma que ele não participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar os direitos de terceiros.