O antipetismo e o antibolsonarismo são fenômenos políticos marcados pela rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao bolsonarismo, movimento associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos ganharam força em meio à polarização política brasileira e passaram a influenciar não apenas a avaliação dos candidatos, mas também as estratégias eleitorais, especialmente nas disputas presidenciais decididas em segundo turno.
No caso do antipetismo, sua consolidação está relacionada a fatores como os escândalos de corrupção revelados durante os governos petistas, especialmente o mensalão e a Operação Lava Jato, além da crise econômica e do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Esses acontecimentos contribuíram para ampliar a rejeição ao PT entre diferentes grupos sociais. Embora o antipetismo tenha raízes anteriores, ele se fortaleceu ao longo da década de 2010 e se tornou um elemento importante na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
O antibolsonarismo, por sua vez, ganhou força durante o governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022. A condução da pandemia de Covid-19, os conflitos com instituições democráticas, as declarações controversas do então presidente e as divergências em torno de temas sociais e ambientais contribuíram para mobilizar setores contrários ao seu governo. Essa oposição reuniu grupos com posições políticas distintas, unidos principalmente pela rejeição a Bolsonaro e ao movimento político construído em torno dele.
Os dois fenômenos não representam grupos homogêneos. Há eleitores que rejeitam um candidato por discordâncias econômicas ou ideológicas, enquanto outros são motivados por avaliações de sua conduta, de seu governo ou de suas alianças políticas. Essa diversidade torna o combate à rejeição um desafio para as campanhas.
Estratégias para o segundo turno
Na disputa de 2026, a rejeição se tornou um dos principais desafios para as duas campanhas. A primeira pesquisa Datafolha após o segundo turno apontou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Em levantamento posterior, divulgado em 15 de outubro, a rejeição era de 46% para Lula e 44% para Flávio, indicando que ambos enfrentavam resistência significativa do eleitorado.
A campanha de Lula busca associar Flávio Bolsonaro ao legado político do pai, Jair Bolsonaro, e recuperar a mobilização de eleitores que rejeitam o bolsonarismo. A estratégia também envolve destacar políticas sociais do atual governo, apresentar propostas com impacto econômico direto e enfatizar temas como direitos trabalhistas e proteção aos grupos de menor renda. O objetivo é ampliar o apoio entre eleitores moderados e pessoas que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, procura consolidar o apoio do eleitorado conservador e atrair pessoas insatisfeitas com o governo petista. Sua campanha aposta no discurso de mudança, na crítica à administração federal e na mobilização de eleitores alinhados ao bolsonarismo. Ao mesmo tempo, precisa ampliar sua aceitação entre pessoas que não se identificam diretamente com o movimento político de sua família.
As duas campanhas também precisam lidar com o chamado voto negativo, quando o eleitor escolhe um candidato principalmente para impedir a vitória do adversário. Esse comportamento pode favorecer a transferência de votos no segundo turno, mas também limita a capacidade de conquistar novos apoiadores por meio de propostas próprias. Na pesquisa Datafolha divulgada em outubro, parte dos eleitores de Flávio declarou que votaria nele para derrotar Lula, evidenciando o peso desse fator na disputa.
Outro desafio é convencer os eleitores indecisos e aqueles que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno. Para isso, os candidatos precisam equilibrar a mobilização de suas bases com uma comunicação capaz de dialogar com públicos menos alinhados ideologicamente.
A disputa, portanto, não depende apenas da capacidade de ampliar a rejeição ao adversário. Em um cenário de forte polarização, reduzir a própria resistência, transmitir confiança e apresentar propostas capazes de atrair eleitores de diferentes posições políticas pode ser decisivo para a formação da maioria eleitoral.