A divulgação, nesta terça-feira (1º), de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro aumentou a pressão sobre o magistrado e ampliou a repercussão da crise envolvendo o Banco Master. A quebra do sigilo das conversas foi determinada pelo ministro André Mendonça.
As mensagens reforçam a relação de Moraes com o caso, que também envolve o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A banca foi contratada pelo Banco Master em um acordo no valor de R$ 131 milhões.
Em nota, o escritório afirmou que não houve irregularidade na contratação. Segundo a banca, Moraes participou das negociações na condição de marido de Viviane, e não como ministro do STF. O escritório também declarou que o magistrado nunca julgou processos relacionados ao Banco Master e que não havia impedimento legal para a contratação.
As conversas divulgadas mostram ainda que Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil pouco antes de ser preso, em novembro de 2025. Em outra troca de mensagens, registrada no dia da prisão, em 17 de novembro, o então banqueiro demonstrou preocupação com o mandado expedido contra ele.
A divulgação dos diálogos ampliou os questionamentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro e sobre um eventual conhecimento do ministro a respeito das ações da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
Pressão política
A repercussão do caso também provocou reação no Senado. O bloco bolsonarista voltou a defender o impeachment de Moraes e apresentou um novo pedido de afastamento do ministro, de autoria do senador Carlos Viana (PSD-MG).
O movimento ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026, quando dois terços das cadeiras do Senado estarão em disputa. Uma eventual ampliação da bancada de oposição poderia alterar a correlação de forças na Casa e aumentar a pressão política sobre ministros do STF.
PGR questiona atuação de Mendonça
Também nesta terça-feira (1º), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que menciona a relação entre Moraes e Vorcaro.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, André Mendonça teria ultrapassado os limites de sua competência ao determinar a investigação e solicitar informações sobre pessoas específicas sem provocação do Ministério Público ou iniciativa da própria Polícia Federal.
Para a PGR, a determinação de investigação nessas circunstâncias seria nula por exceder as atribuições do magistrado.