Mensagens indicam que Vorcaro e executiva do Master discutiram entrevista à CNN e negociações publicitárias

Conversas atribuídas a Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, e Ana Matos, então responsável pelo marketing da instituição financeira, indicam que os dois discutiram previamente as perguntas de uma entrevista concedida à CNN Brasil em abril de 2025. As mensagens também mencionam negociações de contratos publicitários milionários, patrocínios de eventos e tratativas envolvendo o canal CNN Money, segundo reportagem do ICL Notícias.

Inicialmente, Vorcaro cogitou conceder pessoalmente uma entrevista para comentar o balanço do banco e as negociações para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Em mensagens datadas de 3 de abril de 2025, Ana Matos defendeu que as perguntas do jornalista Fernando Nakagawa fossem discutidas com antecedência. Posteriormente, Vorcaro decidiu enviar Paulo Gala, economista-chefe do Master, para participar da entrevista em seu lugar.

A conversa foi transmitida ao vivo pelo CNN Money. Procurado pelo ICL Notícias, Nakagawa afirmou que conduziu a entrevista normalmente e disse não se recordar de interferências na pauta jornalística.

Segundo o jornalista, a entrevista abordou temas considerados sensíveis para o Banco Master, entre eles a sustentabilidade da oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração de 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e as críticas relacionadas à utilização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Negociações publicitárias envolveram milhões de reais

As mensagens também fazem referência às negociações comerciais para o lançamento do CNN Money, em 2024. Na ocasião, Ana Matos mencionou uma proposta de R$ 12 milhões por 12 meses para uma cota de sócio fundador do canal.

A então responsável pelo marketing do Master também sugeriu transferir para o novo projeto os R$ 10 milhões anuais que, segundo ela, já eram destinados à publicidade do banco na CNN News.

Em outra conversa, Ana afirmou que gostaria de indicar uma pessoa para acompanhar o conteúdo editorial do canal e avaliar os interesses da instituição financeira. O teor das mensagens levanta questionamentos sobre os limites entre as relações comerciais do banco com a emissora e a autonomia da produção jornalística.

Os diálogos também mencionam negociações para o patrocínio do evento CNN Talks. De acordo com as mensagens, a emissora teria solicitado inicialmente R$ 4 milhões. Ana Matos informou a Vorcaro, porém, que havia conseguido reduzir o valor para R$ 1 milhão.

As conversas registram ainda discussões sobre solicitações adicionais de recursos feitas por executivos da CNN.

CNN Brasil nega interferência editorial

Em nota, a CNN Brasil afirmou que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da emissora nem do CNN Money. A empresa declarou que Rubens Menin é seu único controlador.

A emissora confirmou que o Banco Master manteve contratos publicitários com a empresa, mas ressaltou que os acordos comerciais estão sujeitos a cláusulas de confidencialidade.

A CNN Brasil também afirmou que mantém uma separação entre as áreas comercial e editorial, destacando que os anunciantes não interferem nas decisões jornalísticas. Segundo a empresa, os executivos responsáveis pela emissora e pela área comercial durante o período mencionado deixaram a companhia em agosto de 2025.

Em relação aos eventos patrocinados, a CNN declarou que esse tipo de iniciativa é identificado como conteúdo comercial e que a redação participa exclusivamente da cobertura jornalística.

O ICL Notícias informou ainda que procurou João Camargo, então presidente do conselho da CNN Brasil, mas não recebeu resposta.

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025

O caso ocorre em meio à crise que culminou no encerramento das atividades do Banco Master. Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a operação de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

Dois meses depois, em novembro de 2025, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do banco.

As mensagens divulgadas pelo ICL Notícias acrescentam novos elementos sobre as relações comerciais entre o Banco Master e a CNN Brasil, especialmente no que diz respeito aos investimentos publicitários, ao patrocínio de eventos e às conversas sobre o conteúdo editorial do canal. A emissora, por sua vez, nega que suas decisões jornalísticas tenham sido influenciadas por anunciantes.

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