PT e PL chegam ao fim das convenções partidárias para as eleições de 2026 com estratégias voltadas à disputa presidencial e à ampliação de suas forças políticas nos estados. As duas principais legendas da polarização nacional apostam em candidaturas próprias em parte das unidades da Federação e em alianças com partidos de centro em outras. As informações são da Folha de S. Paulo.
O PL terá candidatos ao governo em 14 estados, enquanto o PT disputará os governos estaduais em 12. Na maioria dos casos, as siglas manterão candidaturas dentro de seus próprios campos políticos, sem formar alianças oficiais com partidos de centro.
A polarização também contribuiu para ampliar o número de chapas próprias do PL. Em 2022, o partido apresentou governador e vice da mesma legenda em três estados. Para 2026, esse número chega a dez, incluindo Minas Gerais e Rio de Janeiro.
As principais alianças estaduais do PL foram articuladas em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello busca a reeleição, além de Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.
Acordos estaduais compensam alianças nacionais
Na disputa pela Presidência, o PL não conseguiu reproduzir a aliança nacional formada em 2022 com PP e Republicanos. Flávio Bolsonaro chega ao primeiro turno sem uma coligação nacional formal.
Lula, por outro lado, será o único candidato à Presidência apoiado por uma coligação, formada por sete partidos. O PT, entretanto, não conseguiu incorporar formalmente PSD e MDB à aliança nacional.
Diante desse cenário, PT e PL intensificaram as negociações nos estados. O PT apoiará cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil. Em troca, a legenda busca o apoio dessas siglas à candidatura de Lula.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) declarou que pretende trabalhar pela vitória de Lula no estado.
O PL, por sua vez, articulou apoio a candidatos de outras legendas em 11 estados, principalmente de PP, União Brasil e Republicanos. Flávio Bolsonaro, no entanto, não contará no primeiro turno com o apoio de ACM Neto (União Brasil-BA), Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP).
Em Pernambuco, o PL não chegou a um acordo com a governadora Raquel Lyra (PSD) e lançou o deputado Mendonça Filho para o Senado, sem apresentar candidato ao governo. Em Alagoas, as negociações com o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), ainda não foram concluídas.
Segundo Flávio Bolsonaro, o PL terá 22 palanques estaduais de candidatos ao governo que apoiam sua candidatura à Presidência.
PT e PL terão confronto direto em quatro estados
Apesar das articulações e alianças estaduais, PT e PL terão candidaturas diretamente concorrentes ao governo em apenas quatro unidades da Federação.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o PT lançou o deputado Patrus Ananias com o objetivo de garantir um palanque alinhado ao presidente Lula. O PL escolheu Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, após semanas de indefinição em torno da candidatura do senador Cleitinho (Republicanos), que liderava pesquisas para o governo estadual.
Além de Minas Gerais, PL e Republicanos terão candidaturas adversárias em Mato Grosso e Roraima. No Maranhão, Flávio Bolsonaro apoiará o ex-senador Roberto Rocha (PRTB), mas o PL não fará parte formalmente da coligação.
Senado se torna prioridade para os partidos
A disputa pelo Senado também ganhou espaço nas estratégias de PT e PL. A composição da Casa é considerada importante para a correlação de forças entre o governo federal, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
O PL lançou 33 candidatos ao Senado em 25 estados. A legenda não apresentou nomes para a disputa no Amapá e em Alagoas. Neste último estado, o deputado Alfredo Gaspar desistiu da candidatura ao Senado para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro como candidato a vice.
O partido terá candidatos às duas vagas em disputa em sete estados, entre eles Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina.
O PT, por sua vez, lançou 19 candidaturas próprias ao Senado em 17 estados e apoiará candidatos de partidos aliados em outras unidades da Federação.
Na Bahia, o partido disputará as duas vagas com o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa. No Paraná, os candidatos petistas são Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.
No Nordeste, a base de Lula terá, em grande parte, chapas compostas por nomes de partidos de esquerda. Em Pernambuco, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) integram a chapa liderada por João Campos (PSB).
No Ceará, Cid Gomes (PDT) disputará uma das vagas ao Senado, enquanto Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, concorrerá pela Rede Sustentabilidade. Ela deixou o PT após 37 anos de filiação e recebeu o apoio de Lula.
Enquanto PT e PL ampliam a articulação política nos estados, candidatos de partidos de centro desistiram da disputa pelo Senado na última semana. Entre os nomes que deixaram a corrida estão Álvaro Dias (MDB-PR), Irajá Abreu (PSD-TO), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Aécio Neves (PSDB-MG).