Relatório da PF questiona uso de fundo ligado ao financiamento de Dark Horse

Um relatório da Polícia Federal questiona a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o Havengate Development Fund, estrutura sediada nos Estados Unidos que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, apontados como destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Segundo a PF, o fundo, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro, permaneceu praticamente inativo por cerca de quatro anos antes de receber o primeiro repasse, de US$ 2 milhões, em fevereiro de 2025. A investigação aponta que a estrutura havia sido criada originalmente para atividades imobiliárias.

Flávio afirmou que o Havengate foi criado exclusivamente para viabilizar o filme e que sua estrutura nos Estados Unidos era submetida à fiscalização da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano. De acordo com o relatório, porém, não foram encontrados registros do fundo no site da SEC nem informações sobre outros investidores além de Vorcaro.

Para os investigadores, a retomada de uma estrutura que estava sem atividade para receber recursos destinados a uma produção cinematográfica demanda esclarecimentos sobre a compatibilidade entre o veículo financeiro e a finalidade declarada. A PF também busca esclarecer a origem, a movimentação e a destinação final dos valores.

Outro ponto da investigação é a possibilidade de parte dos recursos enviados ao Havengate ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), mensagens analisadas no caso indicam que o deputado teria orientado a administração de recursos mantidos no exterior.

O operador financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em acordo de colaboração premiada ter realizado sete transferências para o Havengate a pedido de Vorcaro. Os repasses, feitos entre fevereiro e setembro de 2025, somaram US$ 12,3 milhões. O período coincide com a mudança de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos.

A PF também identificou mensagens que relacionam parte das transferências ao financiamento do filme. Em relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores apontaram a necessidade de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados.

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