Lula fora do debate da Globo deve mudar dinâmica do último confronto antes do 1º turno

A ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate da TV Globo, marcado para esta quinta-feira (1º), deve alterar a dinâmica do último confronto entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno. A avaliação foi feita por especialistas em pesquisas e análise política durante o programa O Grande Debate Eleições 2026, da CNN Brasil.

A Globo manterá vazia a cadeira destinada a Lula e permitirá que os demais candidatos façam perguntas direcionadas ao presidente. Flávio Bolsonaro (PL), que confirmou presença, deve abordar temas como segurança pública e custo de vida durante o debate.

Para Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, a ausência representa uma oportunidade perdida para Lula apresentar um balanço de seu governo. Segundo o analista, o cenário é diferente do de 2022, quando Lula retornou à disputa presidencial e buscava recuperar entre os eleitores a lembrança de suas gestões anteriores.

Agora, na avaliação de Sanches, Lula precisaria aproveitar o espaço para apresentar resultados e justificar as ações realizadas durante o mandato. O especialista afirmou que o debate também poderia servir para o presidente responder diretamente a questionamentos sobre medidas do governo e promessas de campanha. Por isso, classificou a ausência como um “erro estratégico” na reta final do primeiro turno.

Espaço para os adversários

Sanches também avaliou que a ausência de Lula pode ampliar o espaço dos demais candidatos, principalmente Flávio Bolsonaro. O analista citou o primeiro debate da Band, realizado em agosto sem a participação de Lula e Flávio, como exemplo de uma ocasião em que Augusto Cury teria ampliado sua exposição entre eleitores insatisfeitos com a polarização política.

Segundo Sanches, o debate na Globo pode permitir que Flávio Bolsonaro se apresente ao eleitorado, responda a críticas e destaque pontos que pretende associar à própria candidatura.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, também afirmou que a ausência de Lula abre espaço para os adversários definirem os principais temas do confronto. Entre os assuntos que podem ganhar destaque estão o custo de vida e a segurança pública. Para o analista, a campanha de Flávio Bolsonaro tem enfrentado dificuldades para estabelecer uma agenda própria.

Tokarski citou ainda a mudança no horário do debate como um fator que pode aumentar sua relevância. O programa começará às 21h30, logo após o Jornal Nacional, em vez das 23h, horário utilizado em edições anteriores. Na avaliação do especialista, a alteração pode ampliar a audiência e, consequentemente, a exposição dos candidatos.

A cadeira reservada a Lula permanecerá vazia durante o programa. Para Tokarski, a ausência deverá ser explorada pelos adversários nos últimos dias da campanha, principalmente pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

O debate da Globo será realizado três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Além de Flávio Bolsonaro, estão confirmados Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

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